Eis, porém, que logo no dia seguinte (06/05/88) D. Lefebvre escrevia ao Cardeal Ratzinger uma carta-retratação, na qual insistia em ordenar um Bispo aos 30/06, com ou sem a autorização da Santa Sé. Tal atitude do arcebispo, contrária ao protocolo assinado na véspera, não foi aceita pela Santa Sé. Em conseqüência, D. Marcel Lefebvre, aos 02/06/88, escreveu uma carta ao S. Padre declarando sua decisão incondicional de desobedecer à Santa Sé ou de romper com a autoridade da Igreja Católica.
Na verdade, D. Lefebvre ordenou quatro Bispos aos 30/06/88 sem a permissão de Roma. Este delito, conforme o Direito Canônico, acarreta ime-diatamente (sem necessidade de processo e sentença especial) a excomunhão tanto para o bispo ordenante como para os bispos ordenados. - Aos 02/07/88 o bispo emérito de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, foi também exco-mungado por haver participado ativamente da cerimônia de ordenação.
Só Deus sabe quais as conseqüências de tais fatos. — Cabe-nos agora percorrer os principais pontos alegados por D. Lefebvre como justificativas do seu cisma.
2. Reflexões
2.1. Liberdade Religiosa e Liberalismo
2.1.1. Liberalismo
Por "liberdade" entendem os liberais a emancipação frente a qualquer tutela que não provenha do consenso dos homens. No campo filosófico, isto significa o primado absoluto da razão, que estaria habilitada a julgar até os artigos de fé.
A Revolucão Francesa (1789), com seu lema "Liberdade, Igualdade, Fraternidade", depôs a monarquia absolutista dos reis Luís XIV, XV e XVI e promoveu a democracia. Ao mesmo tempo, porém, perseguiu a Igreja e propiciou a impiedade na Franca e nos países por esta influenciados. O liberalismo era tido como a proclamação de maior idade e maturidade para nações que até então haviam sido governadas de maneira paternalista. No setor político, em oposição ao chamado "direito divino dos príncipes" segundo o qual o rei só deve prestar contas a Deus (por conseguinte, é absoluto na ter-
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