como os de Billot e Garrigou-Lagrange, além de Manuais teológicos de menor importância.
Em suma, dir-se-ia que D. Lefebvre chama "Tradição" o ensinamento teológico, as práticas eclesiásticas e a Liturgia que ele conheceu em sua ju-ventude e nos anos de sua formação sacerdotal; estes dados eram fortemen-te marcados pelo combate ao liberalismo e ao modernismo. D. Lefebvre ignorou a renovação e o enriquecimento dos estudos ocorridos após a pri-meira guerra mundial (1914-18) até o Concílio do Vaticano II. Certamente nessa renovação houve desvios; ora somente isto impressionou o arcebispo, que conseqüentemente passou a ver heresias em tudo o que não correspon-desse às suas categorias de "Tradição católica", e se fechou obstinadamente na defesa do que ele considera a Verdade católica.
3. Conclusão
As objeções de D. Lefebvre ao Concílio e as autoridades da Igreja pós-conciliar não se justificam. Elas procedem mais de uma grande obsessão de-rivada do tempo de estudo do prelado, alimentada pela decepção causada pelas falsas interpretações do Concílio, mais do que de raciocínios doutriná-rios bem concatenados. De resto, a instabilidade ou a brusca mudanca de ati-tude do arcebispo ocorrida entre 5 e 6 de maio pp. bem revela que o prelado já não parece senhor de si mesmo; antes, é vítima da idade e dos seus asses-sores, que se prevalecem da insegurança do chefe. Cremos que Ihe falta o dis-cernimento tão necessário para perceber que "Satanás se dissimula em anjo de luz" (2Cor 11,14); a idéia fixa de ser "o Salvador da Igreja", às custas mesmas de um cisma, pode ser inspirada pelo anjo de luz e pela obsessão mental.
Pode-se ainda dizer que os fiéis leigos aderem a D. Lefebvre mais por motivo de perplexidade diante dos abusos do que por abraçarem todo o pen-samento teológico do arcebispo; a idéia de que "nosso futuro é o passado" (D. Lefebvre) condiz pouco com a mentalidade sadia contemporânea; o homem de hoje se vê impelido a olhar para o futuro com esperança e pro-curar construí-lo em plena continuidade com o passado. Ora é precisamente isto que a Igreja Católica deseja. Saibamos apoiá-la, dizendo Não as arbitra-riedades ocorrentes no pós-Concílio e reafirmando a presença do Cristo vivo na única Igreja confiada a Pedro e seus sucessores.
As citações de dizeres de D. Lefebvre foram colhidas no artigo Que pense Monseigneur Lefebvre? da autoria de Charles-Marie Guillet, em "Prê-tres Diocésains", abril de 1988, pp. 157-171.
Ver também Pierre Grelot: Mgr. Lefebvre et la foi catholique, em "Etudes", Janeiro 1988, pp. 93-107.
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