34______"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 316/1988_______

Média havia condições para tentar realizá-lo, pois toda a população do Sacro Império Romano, desde o monarca até o mais humilde camponês, professava a fé cristã (católica). Quem não a professasse, só podia ser tido como bruxo, possesso do demônio, enfeitiçado... Por conseguinte, era compreensível o empenho dos Papas em fazer que o Estado professasse ou promovesse a doutrina católica; eram raros os que contestavam teoricamente a veracidade do Catolicismo. — Hoje em dia, o Catolicismo conserva sua plena veracidade (a verdade não é algo de relativo); mas o racionalismo, o subjetivismo, o relativismo... penetraram as escolas filosóficas, levando muitos cidadãos a se afastar da fé católica. Neste contexto toca à Igreja renovar a sua ação missionária, como tem pregado o Papa João Paulo II, mas não Ihe é lícito supor as condições de unanimidade religiosa e aceitação vigentes na Idade Média. Já no começo do século XIV, quando o Papa Bonifácio VIII quis sustentar o ideal de Gregório VII (+1083) relativo à Cidade de Deus frente ao rei católico Filipe IV o Belo da Franca, sofreu vexames e perseguições (embora o rei se dissesse católico!).

Em nossos tempos é preferível a separação da Igreja e do Estado, ficando a Igreja livre para exercer sua ação missionária. O Estado, que conhece a força mobilizadora da religião, tenderá sempre, como fez no passado, a manipular a Igreja segundo seus interesses, desde que isto Ihe seja, de algum modo, facultado.

A democracia na sociedade civil é a forma de Governo aceitável aos olhos da fé católica. Isto não quer dizer que deva afetar a estrutura da Igreja. Esta não é nem democracia nem monarquia (no sentido meramente humano desta palavra), mas é sacramento, ou seja, a continuação do Cristo vivo em seu Corpo Místico, de tal modo que as instituições na Igreja comungam, de algum modo, com a índole sacramental de toda a Igreja.

2.4. Igreja e Modernismo D. Lefebvre fala freqüentemente de modernismo na Igreja. Esta palavra é ambígua. Pode significar "o ser moderno, atualizado" (com significação pejorativa), como também pode significar uma corrente de pensamento que suscitou graves erros no começo do século XX a ponto de provocar a condenação da parte do Papa Pio X no Decreto Lamentabili (03/07/1907) e na Encíclica Pascendi (08/09/1907).

O modernismo de Alfred Loisy, GeorgesTyrell, E. Le Roy, E. Dimnet, A. Houtin ensinava que Deus não pode ser reconhecido por critérios objetivos racionais, mas apenas pelo sentimento subjetivo do homem; conseqüentemente a verdade religiosa não seria imutável, mas volúvel como o homem é mutável e volúvel; Cristo não teria ensinado um corpo de doutrinas válidas

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