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Getsêmani |
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P. Emílio Scheid, OFM (S. Sepulcro) |
No Monte das Oliveiras havia duas grutas, onde Jesus costumava abrigar-se com seus discípulos, durante a noite. Uma, situada no alto, tradicionalmente chamada "Gruta dos Ensinamentos" ou "Gruta do Pai-Nosso". A outra, ao sopé da montanha, perto da Tumba da Mãe de Jesus Maria, denominada "Getsêmani", do hebraico "Gat shemanim", que significa "lagar de azeite", que ali fora instalado. Foi ali também que Judas, com um beijo, traiu seu Mestre. |
Durante a sua intensa atividade missionária, Jesus costumava retirar-se, à noite, a lugares desertos para rezar, entreter-se com o Pai celeste em afável comunhão de sentimentos e de vontade. Na última noite, porém na noite da Agonia, essa afável comunhão parecia suspensa. Noite terrivelmente angustiante, abandono de todos os lados: apóstolos. dormindo; o traidor, se aproximando; o Pai aparentemente, se afastando; o cálice amargo da Paixão a beber! "A minha alma está numa tristeza mortal" (Mc 14,34). Esta oração de Jesus diz tudo. Mergulhado nessa profunda angústia, prostrado por terra, suando sangue, Jesus solta esta súplica: "Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua" (Lc 22,42). E a vontade do Pai era beber o cálice amargo. Plenamente resignado, Jesus o aceitou. Foi o "SIM" mais doloroso e sofrido de sua Paixão. O próprio Jesus confiou a S. Margarida Maria Alacoque: "Aqui sofri mais que em todo o resto da minha Paixão, vendo-me abandonado pelo Céu e pela terra, carregado de todos os pecados da humanidade...". |
Dois são os lugares no Getseêmani relacionados com a Agonia de
Jesus:
- a Gruta do Getsêmani, lugar da traição de Judas e
do aprisionamento de Jesus;
- a Rocha da Agonia, distante da Gruta por um tiro de pedra (Cf Lc
22,41), onde está situada a Basílica.
Sobre a Gruta de Getsêmani nunca foi construída uma
igreja, porque ela própria era um excelente lugar de
oração para os judeus cristãos e bizantinos e o continua
sendo em nossos dias. Os cruzados fizeram dela uma igreja rupestre,
decoraram-na com pinturas, afrescos e inscrições. Uma delas
é: "Pai, se tu queres, afasta de mim este cálice".
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A Rocha da Agonia começou a ser venerada a partir do III
século. No IV século, segundo testemunho de S. Jerônomo e
de Egéria foi construída por arquitetos bizantinos a primeira
basílica, durante o episcopado de S. Cirilo de Jerusalém
(348-386) e a administração do imperador Teodósio. Essa
igreja, de 25,50m de comprimento por 16,35 de largura, com três naves e
três ábsides, denominada "elegante" pela grande peregrina
Egéria, foi destruída em 614, quando um terrível
furacão desabou sobre a cidade santa e as hordas de Cosroé II,
rei da Pérsia, meteram tudo a ferro e fogo.
Destruída pelos Persas, essa basílica foi reconstruída
pelos cruzados no XII século, primeiramente como modesto
oratório, posteriomente de forma mais ampla. Também essa
desapareceu, provavelmente em 1187, quando da tomada de Jerusalém por
Saladino. Passou-se então a celebrar o culto e venerar a Agonia do
Senhor na gruta do Getsêmani.
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A atual basílica (1919-24)
Antecedentes - A atual área do Getsêmani, propriedade dos
franciscanos, foi adquirida parceladamente, a duras penas, durante um longo
período, ou seja, de 1661 a 1923. Além da longa, sofrida
aquisição do terreno, grandes dificuldades causaram os
greco-ortodoxos, querendo impedir a construção. Também as
autoridades governamentais inglesas protestaram, alegando que a
construção "deturpava o caráter medieval de
Jerusalém"... Depois de mesquinhas intrigas e longas tratativas,
chegou-se a um acordo. Apenas retomados os trabalhos, um sacristão
armeno mandou aos operários suspender a construção.
Não bastasse isso, um grupo de greco-ortodoxos, armados e coadjuvados
por um policial, orbigaram os pedreiros a sustar os trabalhos. Dessa vez,
porém, interveio o próprio governador de Jerusalém, o
senhor H.C. Luke, e decidiu pela continuação da obra, embora
não houvesse unanimidade entre os franciscanos. Tais lamentáveis
incidentes pertencem ao passado. Em nossos dias, vive-se felizmente num clima
ecumênico.
Apenas estavam iniciados os trabalhos do novo santuário, em outubro de
1919, de acordo com a planta do arquiteto A. Barluzzi, quando providencialmente
foram descobertos restos de mosaico da igreja medieval. Imediatamente
retomaram-se as escavações e veio à tona a
basílica bizantina, a "elegante". Em
conseqüência disso, foram revistos os planos da nova
construção. Graças a Deus, desta vez, não deu
zebra; nenhum ortodoxo se meteu no meio!
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O atual santuário retoma, em proporções mais amplas, o
plano basilical em três naves da igreja bizantina. A penumbra, que
envolve todo o seu interior, é produzida por doze baixas cúpulas
cor azul, pontilhada de estrelas, circundadas de ramos de oliveira. Para o
mesmo efeito contribuem as janelas de cor violácea. Toda essa atmosfera
sombria quer traduzir o abatimento, a dor do Cristo prostrado em agonia.
O edifício divide-se em três naves, separadas por seis
colunas cor-de-rosa. Cada nave termina numa ábside, ornada de mosaico,
que recordam os fatos mais salientes ocorridos na mesma noite: o beijo de Judas
(à esquerda), a agonia de Jesus (centro) e o "Sou EU" (à
esquerda). "Sou Eu" é a resposta de Jesus aos que o procuravam
prender.
Diante do altar emerge a Rocha da Agonia, cercada de uma coroa de
espinhos de ferro e de ramos de oliveira. Os pássaros, olhando dentro do
cálice, simbolizam os devotos fieis que querem condividir o sofrimento
com Jesus. Enfim, duas pombas agonizantes, feridas de morte, inclinadas sobre
espinhos. Todo o conjunto impressiona e comove, questiona o visitante acerca da
sua conformidade com a vontade do Pai.
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O pavimento - Por ser a atual basílica maior que a
bizantina, o pavimento de mosaico cobre apenas a área bizantina. O
espaço restante é feito de mármore cinzento.
Pórtico - Entra-se na basílica por um único
pórtico imponente, sobre o qual vêem-se apresentadas, em bronze a
árvore da vida que brota de uma Cruz e quatro volutas mostrando em
símbolos os quatro evangelistas, com frases do evangelho alusivas
à agonia.
Sobre o tímpano da fachada com dois cervos fitando a Cruz, um
mosaico apresenta o Cristo Mediador entre Deus e os homens. A seu lado direito,
aparecem os poderosos e sábios, que reconhecem a insuficiência de
seu poder e da sua sabedoria; ao lado esquerdo, vêem-se os fracos e
miseráveis, chorando, porém confiando.
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A basílica da Agonia é chamada também "Igreja das
Nações" Vários países contribuíram
para cobrir as despesas da construção. Seus respectivos
brasões estão reproduzidos nas cúpulas e nos mosaicos
absidais.
A solene consagração da basílica foi realizada pelo
Cardeal Orestes Giongo, em 15 de junho de 1924.
Concluindo, Jesus Mestre, prostrado sobre a Rocha da Agonia, ensina-nos
sobretudo duas coisas: a oração filial e a
obediência salvífica à vontade do Pai, exigente,
mais sumamente benéfica.
© copyright 1998
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Created / Updated Saturday, March 28, 1998 at 19:26:03 by John Abela ofm for the Maltese Province and the Custody of the Holy Land This page is best viewed with Netscape at 640x480x67Hz - Space by courtesy of Christus Rex |