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Especial Zaire


SERVIÇO DE NOTÍCIAS - Missão Salesiana de Mato Grosso - 12 de Noviembro de 1996

NO ZAIRE MUITOS INTERESSES INTERNACIONAIS
Roma, 12 nov (SN-Sir) - "O Ruanda aproveita do mal-estar no Zaire". Assim padre Efrem Tresoldi, diretor na revista mensal dos missionários Combonianos "Nigrizia", comenta a trágica situação em que se encontra o Zaire. Segundo o padre Tresoldi, "era inevitável que, com um milhão de refugiados, a situação se tornasse explosiva também porque o Ruanda sabe utilizar o clima de mal-estar da população local, os Banyamulenge, que são de origem tutsi e que há muitos anos vivem no país. Parece que os próprios soldados ruandeses tenham participado de ataques contra os soldados zairenses. Portanto está havendo um ato de agressão de um país contra os territórios de outro país. Dom Munzihirwa denunciara tudo isso e portanto foi assassinado". Para o padre Efrem Tressoldi, "neste conflito estão em jogo também numerosos interesses econômicos internacionais porque o território do Zaire é muito rico em ouro e urânio. A França está preocupada por uma possível intervenção americana, pois perderia sua influência naquela região. Estados Unidos e Inglaterra apoiam os governos de Kigali e do Burundi". Para solucionar o conflito, o pe. Tresoldi pensa que "é urgente a abertura de um corredor humanitário, logo que houver condições mínimas de segurança". Todavia, conclui o diretor de "Nigrizia", "o problema fundamental é aquele político: é preciso chegar à negociação, tendo como ponto básico inicial que não se deve aproveitar da situação para modificar as fronteiras destes países. Se falhar isso, se criaria um preocupante precedente que iniciaria uma perigosa reação em cadeia".

MISSIONÁRIOS: EMBARGO TOTAL DE ARMAS NA REGIÃO DOS GRANDES LAGOS
Roma, 12 nov (SN-Asca) - Em primiero lugar o embargo imediato e total das armas para os países em conflito a fim de estancar a guerra que se iniciou no Leste do Zare. É o que pedem os missionários de 15 Congregações religiosas femininas, 7 Congregações masculinas, 15 Organizações de Voluntariado e líderes de grupos africanos na Itália no final de um encontro em Roma para encontrar soluções ao drama do Zaire e dos refugiados ruandeses. Durante o encontro foi feita uma clara denúncia contra "a cumplicidade internacional, sobretudo da França e dos Estados Unidos que, em sua luta pelo controle da região, apoiaram ou um ditador como Mubutu ou as ações expansionistas do Ruanda". Mas também uma denúncia contra o "fornecimento de armas, muitas delas européias, que contribuiram na desestabilização da região Leste do Zaire e a expandir o conflito; o desinteresse da ONU, incapaz de decidir, também pela chantagem feita por diferentes países membros do Conselho de Segurança". Por isso as propostas ao governo italiano para parar o massacre e tentar aliviar as necessidades de sobrevivência dos refugiados. Além do embargo, o envio de um contingente ONU, formado por capacetes azuis e capacetes brancos em colaboração com a OUA, para deter os combates e garantir a segurança das populações; organizar uma conferência de paz com representantes dos governos e das populações da região dos Grande Lagos, e finalmente extender as atribuições do tribunal internacional de Arusha também para os últimos acontecimento no Zaire.

MARISTAS. PROVINCIAL TEMEM QUE OS QUATRO TENHAM SIDO MORTOS
Madri, 12 nov (SN-Efe) - O padre provincial dos Maristas de Madri, Adolfo Varas, disse temer que os quatro religiosos que trabalhavam no campo de refugiados de Bugobe (no Leste do Zaire) tenham sido mortos, também se ainda não encontraram nenhum cadáver e portanto não foi possível começar a identificação. Adolfo Varas espera novas notícias depois que chegaram informações das autoridades espanholas em Kigali que tinha-se iniciado o tarefa de exumação dos cadáveres do campo, com muitas dificuldades, entre as quais as chuvas torrenciais. Pessoas que entraram no campo entre os dias 9 e 10 do corrente, tinham encontrado objetos pessoais dos maristas. Pelas informações orais que o provincial teve, acha que os quatro maristas foram mortos por um grupo de ex-militares hutu que agiam naquele campo de refugiados.

GRUPO ARMADO HUTU ASSASSINOU OS QUATRO MARISTAS
Madri, 12 nov (SN-Efe) - Um grupo armado das milícias hutu "mataram com violência" os quatro maristas na tarde do dia 31 de outubro no campo de refugiados de Bugobe, informa um comunicado oficial da Casa provincial dos Maristas de Madri. Segundo testemunhas oculares -diz a nota- sete milicianos hutu, que fugiram do antigo regime de Kigali, invadiram a casa dos maristas na tarde-noite do dia 31 de outubro. Por volta das 8h da noite, foram ouvidos vários disparos de armas automáticas. Sempre segundo a nota da casa provincíal dos maristas de Madri, os corpos foram jogados numa cisterana de 12 metros de profundidade e 1 metro de diámetro, cavada pelos religiosos para as necessidades da casa. Os milicianos ficaram ainda quatro dias na casa dos religiosos, motivo pelo qual ninguém podia se aproximar para saber da verdade. Quando iniciou a evacuação do campo, os hutu abandonaram a casa e levaram consigo pertences dos religiosos. A última comunicação dos maristas do campo de Bugobe foi às 9:30h do dia 31 de outubro e diziam: "Estamos sós; esperamos um ataque de um momento ao outro. Se esta tarde não chamarmos será um péssimo sinal. O mais provável é que nos retirem o rádio e o telefone. Há muita agitação na área; os refugiados fogem sem saber onde e nota-se a presença de infiltrados e de pessoas violentas".

CONFEDERAÇÃO ESPANHOLA DE RELIGIOSOS ORGANIZA HOMENAGEM
Madri, 12 nov (SN-Efe) - A Confederação Espanhola de Religiosos e Religiosas (Confer) vai prestar uma particular homenagem aos maristas mortos no Zaire durante a missa de encerramento da 3ª assembléia geral neste 13 de novembro, em Madri. Participará também da homenagem o comitê central da Conferência dos Bispos Espanhóis. A Confer reune atualmente todas as ordens, congregações e institutos de religiosos e religiosas da Estanha, com um total de 60.603 pessoas, das quais 50.431 são mulheres e o resto 10.172, homens.

DENÚNCIA DA SITUAÇÃO PELO RÁDIO, ORIGEM DO ASSASSINATO DE MARISTAS
Madri, 12 nov (SN-Efe) - Os maristas mortos no Zaire foram assassinatos porque através do rádio lançavam chamados à solidariedade e denunciavam a situação a partir do campo de Bugobe, com pedidos de ajuda ao Papa e à ONU, informou o responsável pela ONG marista SED, Jack González. Segundo Jack Gonzáles, no último dia 30, o missionário marista Servando Mayor entrou em contato com a emissora Cope de Madri para ler uma mensagem em que pedia urgente ajuda ao Papa e ao Alto Comissariado da ONU. A mensagem dizia: "Os sobreviventes dos campos de refugiados ruandeses da região ao Sul de Kivu no Zaire lançam este S.O.S para pedir à vossa alta autoridade moral que intervenha para pôr um fim a esta perseguição e desaparecimento, lento mais seguro". Alguém, acrescentava o missionário na mesma mensagem, "está perseguindo e inclusive quer eliminar estes refugiados, com as balas, a fome, o frio e as doenças... As crinças, as mulheres grávidas e os anciãos estão para morrer pelas estradas e as colinas, debaixo de uma chuva torrencial". A situação é absolutamente desesperada e nossa mensagem aos governos é que isso deve parar imediatamente, caso contrário estaremos presenciando a uma catástrofe maior ainda daquela de quatro anos atrás. Não temos alimentos, nem uma só aspirina...", concluía a mensagem. A opinião de Jack González é que "mataram o mensageiro", mataram os quatro maristas porque com o rádio denunciavam o que estava acontecendo.

MISSIONÁRIA DIZ QUE NÃO HÁ PALAVRAS PARA EXPLICAR A CATÁSTROFE
Tarragona, 12 nov (SN-Efe) - Irmã Rosário Berenguer, uma das missionárias da Congregação das Carmelitas Teresianas, pertencente ao convento de Tarragona, evacuada do Zaire, considera que não há palavras para "traduzir" o horror e "a magnitude da catástrofe" que está sendo vivida na região dos Grandes Lagos, no centro da África. Num longo artigo da missionária, publicado pelo "Diari de Tarragona", irmã Rosário explica que tiveram que ser evacuadas para salvar suas vidas, porque estavam ameaçadas de morte "pelo fato de terem ajudado todas as pessoas que batiam à porta da missão". "Não se pode resumir em poucas palavras o terrível sofrimento e a anústia das irmãs em perigo, a magnitude da catástrofe, a impotência diante de tanta maldade e tantas mortes...." relata a religiosa. A irmã Berenguer lembra que a embaixada da Espanha em Kinshasa "atenta e prevenindo os acontecimentos já há quatro anos, insistia na conveniência de abandonar o lugar". A Congregação das Carmelitas Missionárias Teresianas está presente na região zairense de Kivu desde 1958 e tinha duas comunidades em Bukavu, onde também funcionava um noviciado. Rosário Bereguer demonstra preocupação de sua congregação pelas religiosas que ainda permanecem em território zairense e concretamente por duas irmãs espanholas e quatro zairenses, "visto que delas não sabemos mais nada desde o último dia 1º de novembro". Irmã Rosário lembra que "muito tinha-se conseguido em 38 anos de trabalho com muito sacrifício, muito esforço e com a ajuda de ONGs, em particular de Manos Unidas".

SERVIÇO DE NOTÍCIAS DA MISSÃO SALESIANA DE MATO GROSSO ANO 2 - Nº 383 - Resp. Pe. Ervino Martinuz - 12/11/96 Caixa Postal 415 - 79002-970 CAMPO GRANDE (MS) - Fone (067) 383.3761 - Fax (067) 721.4640 E-mail martinuz@unibosco.br


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